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Especialista americana conta como os Tribunais de Drogas estão ajudando a reduzir a dependência de usuários nos EUA
São Paulo | 21 de maio de 2012
Tara Kunkel fala durante seminário sobre justiça terapêutica em São Paulo
Tara Kunkel posa com organizadores do evento
A especialista norte-americana em drogas Tara Kunkel participou na última quinta-feira de um seminário em São Paulo para explicar e discutir o conceito de Tribunais de Drogas nos Estados Unidos, que substituem a prisão de pessoas acusadas por pequenos delitos relacionados ao uso de drogas por programas de reabilitação. Esses programas têm por objetivo tratá-los da dependência química e reintegrá-los à sociedade.
"São dois objetivos principais dos Tribunais de Drogas: um é ajudar a pessoa a superar seu vício através de tratamento e supervisão. O segundo é evitar a volta dessas pessoas ao Sistema Judiciário por conta de novos crimes. E estes dois andam de mãos dadas", disse Tara durante o seminário "Justiça Terapêutica: É Possível Fazer!”, realizado em São Paulo, de 17 a 18 de maio. O auditório foi composto principalmente por representantes do governo, policiais, promotores, psicólogos e psiquiatras.
Tara Kunkel é consultora de Gestão do Centro Nacional de Tribunais Estaduais do Estado de Virginia e já trabalhou em vários tribunais especializados para usuários de drogas nos Estados Unidos. Ela explicou que o modelo americano separa o usuário não-violento do sistema penal e oferece tratamento em vez de encarceramento. Hoje réus americanos podem ser encaminhados a um dos quase 2.500 Tribunais de Drogas do país, onde uma equipe composta por um juiz e diversos especialistas coordenam programas que ajudam esses réus a se livrarem do vício.
Nos Estados Unidos, oito em cada dez dependentes que participam de um programa de reabilitação conseguem se livrar das drogas. Além disso, estudos mostram que a cada dólar gasto no tratamento, o governo americano economiza 3 dólares com prisões.
A secretária de Justiça, Eloisa Alvarez de Souza, abriu o evento na Escola Superior do Ministério Público, dizendo que as drogas se tornaram o problema principal do Estado. Eloisa contou que em reuniões com os prefeitos de São Paulo, o tema aparece constantemente como a primeira preocupação. "Não sabemos como lidar com este problema", admitiu Eloisa.
Estas preocupações foram ecoadas pelo Dr. Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Unifesp, que relacionou o número crescente de usuários de drogas em todo o país a uma grande rede de distribuição de narcóticos e preços baratos. “Com a ascensão da economia brasileira e do consumo, as drogas seguem o dinheiro", disse Laranjeira.
O seminário foi organizado pelo Ministério Público e contou com a colaboração do consulado dos EUA em São Paulo, visando estimular o debate sobre formas de combater o consumo de drogas no Brasil.